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Em defesa da História, Lula presidente: nota pública da ANPUH - eleições 2026

A Associação Nacional de História (ANPUH), diante dos resultados do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 e da realização do segundo turno para a Presidência da República, dirige-se às professoras e aos professores de História, pesquisadoras e pesquisadores, estudantes, profissionais da área e ao conjunto da sociedade brasileira para reafirmar seu compromisso histórico com a democracia, a liberdade acadêmica, a ciência, a educação pública e com o direito de todas e todos ao conhecimento histórico produzido com rigor, pluralidade e autonomia.

As eleições ocorrem em um momento decisivo para o país. O processo eleitoral coloca em debate diferentes projetos para o Brasil e, com eles, perspectivas distintas acerca do papel do Estado, da educação, das universidades, da ciência, das políticas públicas, da preservação da memória e do patrimônio, da formação das novas gerações e das próprias condições de produção do conhecimento científico. Para a ANPUH, esse debate possui importância particular porque a História, enquanto campo científico e disciplina escolar, desempenha papel fundamental na formação crítica da cidadania e na compreensão das experiências que constituíram a sociedade brasileira.

A defesa da História, da ciência, da pesquisa e de uma formação educacional de qualidade é inseparável da defesa da democracia. Não há produção livre de conhecimento histórico onde a autonomia universitária, a liberdade de ensinar, pesquisar, interpretar e debater sejam constrangidas. Não há ensino de História comprometido com a formação cidadã quando professoras e professores são impedidos de trabalhar criticamente diferentes interpretações do passado, quando a pesquisa histórica é submetida a versões oficiais ou quando disputas políticas procuram transformar o conhecimento histórico em instrumento de doutrinação. A História é um campo científico plural, fundamentado na pesquisa documental, na crítica das fontes, no debate historiográfico e na permanente revisão das interpretações produzidas pela comunidade acadêmica.

Tampouco é possível construir uma política nacional de ciência, tecnologia, educação e pós-graduação socialmente relevante sem financiamento público estável, valorização das universidades e institutos públicos, políticas de permanência estudantil e condições dignas de trabalho para docentes, pesquisadoras, pesquisadores e trabalhadoras e trabalhadores da educação. A experiência histórica brasileira demonstra a centralidade das universidades públicas na produção do conhecimento científico, na formação de professoras e professores e na constituição de uma comunidade de pesquisa capaz de enfrentar os desafios do país. Defender essas instituições significa defender a soberania científica e cultural brasileira e reconhecer o conhecimento como patrimônio social, cuja produção não pode estar subordinada exclusivamente às determinações do mercado ou aos interesses políticos de governos e grupos particulares.

Para a ANPUH Brasil, essas questões assumem significado ainda mais amplo porque a produção do conhecimento histórico está diretamente vinculada às condições de funcionamento das universidades, dos programas de pós-graduação, dos arquivos, museus, bibliotecas, centros de documentação e instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico e cultural. A pesquisa histórica depende de acervos preservados e acessíveis, de políticas de memória, de financiamento científico, de bolsas de iniciação científica e pós-graduação, de editais de pesquisa, de revistas e periódicos acadêmicos e de condições adequadas para o trabalho de historiadoras e historiadores. Qualquer projeto de país que enfraqueça essas estruturas compromete não apenas uma área específica do conhecimento, mas a própria capacidade da sociedade brasileira de compreender criticamente sua trajetória histórica.

Da mesma maneira, a ANPUH Brasil reafirma a importância da História na educação básica. O ensino de História não pode ser reduzido à memorização de datas, acontecimentos ou personagens, nem subordinado a narrativas oficiais ou a projetos de controle político da escola. Ensinar História significa possibilitar que estudantes compreendam processos históricos, reconheçam diferentes sujeitos sociais, analisem criticamente documentos e interpretações, compreendam conflitos, permanências e transformações e reconheçam a diversidade das experiências que constituem o Brasil. A valorização da disciplina História requer, portanto, políticas de formação inicial e continuada, valorização profissional, concursos públicos, condições adequadas de trabalho e reconhecimento da especificidade da formação histórica necessária ao exercício da docência.

Nesse sentido, a ANPUH considera indispensável que a comunidade acadêmica e a sociedade examinem criticamente os programas, compromissos públicos, trajetórias e propostas das candidaturas, especialmente no que diz respeito à democracia e às instituições republicanas; ao financiamento da educação, da ciência e da tecnologia; à autonomia universitária e à liberdade acadêmica; à valorização das universidades públicas; às políticas de formação e valorização docente; à permanência estudantil; ao fortalecimento da pós-graduação; à preservação dos arquivos, museus e patrimônios; às políticas de memória; ao ensino de História; à valorização das humanidades; ao combate às desigualdades; ao respeito à diversidade social, cultural, étnica e regional do país; e à proteção dos direitos humanos e das liberdades civis.

A ANPUH Brasil reafirma que a democracia não é negociável. A universidade não é inimiga da sociedade. A ciência não é privilégio. A pesquisa não é gasto supérfluo. A História não é instrumento de propaganda. A educação não é mercadoria. Os arquivos, museus e lugares de memória não são espaços acessórios. São dimensões fundamentais de uma sociedade democrática, soberana e capaz de compreender criticamente seu passado e projetar seu futuro.

Em tempos nos quais a democracia, a ciência, a educação e o conhecimento histórico ocupam lugar central no debate sobre o futuro do país, não cabe indiferença. Cabe participação, reflexão crítica, organização coletiva e defesa intransigente das conquistas democráticas, da liberdade de pesquisa e de ensino e das instituições públicas responsáveis pela produção, preservação e difusão do conhecimento.

A ANPUH Brasil reafirma, neste momento eleitoral, apoio a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por entender que é o único projeto de nação no qual a democracia é fortalecida, a ciência é valorizada, a universidade pública é preservada e ampliada, a educação é tratada como direito, a História é reconhecida como conhecimento científico fundamental e professoras, professores, pesquisadoras, pesquisadores e estudantes podem ter asseguradas as condições necessárias para produzir, ensinar, aprender e divulgar conhecimento histórico com liberdade, rigor e responsabilidade social.

Em defesa da História, Lula presidente!

Associação Nacional de História – ANPUH

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