Siga nas redes sociais   |  
ICON FACEBOOK
ICON TWEETER
ICON TWEETER
ICON TWEETER
ICON TWEETER
SPOTIFY
DEEZER

CARTA-MANIFESTO DA COMUNIDADE HISTORIADORA DE SÃO PAULO ÀS CANDIDATAS E AOS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES DE 2026

Pela valorização da História, de seus profissionais e do conhecimento histórico como direito da sociedade

As eleições de 2026 constituem uma oportunidade para discutir o futuro dos profissionais de História no Estado de São Paulo, que atuam na educação, na produção de ciência voltada à criação de políticas públicas, na promoção da cultura, e da preservação da memória representada pelos vários arquivos e museus existentes no Estado de São Paulo.

Nós, historiadoras e historiadores, que atuamos como professores da educação básica e superior, ou como pesquisadores, estudantes e profissionais que atuam em arquivos, museus, centros de documentação, instituições culturais, órgãos públicos e outros espaços de produção e preservação do conhecimento histórico, dirigimo-nos às candidatas e aos candidatos ao governo estadual de São Paulo, ao Senado e à Assembleia Legislativa para apresentar uma agenda de compromissos com a História.

Esta Carta-Manifesto resulta de uma consulta realizada pela Associação Nacional de História – Seção São Paulo (ANPUH-SP) junto a seus associados e participantes. As respostas revelam uma preocupação central: a História e os profissionais que trabalham com ela precisam ser valorizados como parte essencial da educação, da ciência, da cultura e da democracia.

Entre os principais desafios identificados estão a valorização profissional e as condições de trabalho; a defesa e ampliação do ensino de História; o combate à desinformação e ao negacionismo histórico; o financiamento das pesquisas; a preservação de arquivos e do patrimônio; as dificuldades de inserção profissional; a precarização do trabalho docente; e os impactos das plataformas digitais e da inteligência artificial sobre a educação e a pesquisa.

A partir desse diagnóstico, apresentamos às candidatas e aos candidatos propostas objetivas para uma Agenda da História em São Paulo.

1. VALORIZAR OS PROFISSIONAIS DE HISTÓRIA

A valorização profissional foi a principal preocupação identificada na consulta. Por meio da  Lei nº 14.038, de 17 de agosto de 2020 foram estabelecidas medidas para a regulamentação da profissão de Historiador e indicados requisitos para o exercício da atividade profissional. Assim, requeremos que as atribuições da profissão segundo a mesma Lei, sejam aplicadas no Estado de São Paulo, contribuindo para assegurar aos Historiadores ingresso no mercado de trabalho, sobretudo no “magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio”, conforme assegura o inciso I do artigo 4º da referida Lei 14.038.  Ao mesmo tempo, ampliar a presença de profissionais formados em História em diversos campos como apontado pelos incisos II ao V do artigo 4º.

Deve-se considerar que arquivos, museus, centros de memória, patrimônio histórico e cultural, instituições de pesquisa, órgãos públicos, consultorias, produção cultural e audiovisual constituem espaços nos quais o conhecimento histórico é indispensável.

A valorização da profissão exige que o Estado e Municípios reconheçam a necessidade de profissionais especializados, e criem condições concretas para sua contratação.

Propomos:

  • realizar um levantamento dos órgãos públicos estaduais e municipais que necessitam de profissionais formados em História e identificar cargos existentes e necessidades de novos profissionais;
  • garantir que os concursos públicos correspondentes exijam formação adequada em História;
  • ampliar e requerer a presença de profissionais de História em arquivos, museus, patrimônio, centros de documentação, memória e instituições culturais;
  • ampliar concursos públicos e processos seletivos para historiadores junto a Secretaria de Estado da Educação e demais órgão afins, bem como às Secretarias Municipais de Educação;
  • criar políticas de estímulo à inserção profissional de estudantes e recém-formados.

2. MAIS HISTÓRIA NAS ESCOLAS

A defesa do ensino de História ocupa lugar central nesta Carta. Não defendemos apenas uma discussão sobre a distribuição da carga horária entre diferentes disciplinas. Defendemos mais aulas de História nas escolas paulistas, com presença efetiva e contínua da disciplina e seus conteúdos na formação dos estudantes. A redução ou fragmentação do ensino de História compromete a formação cidadã. Mais História na escola significa mais condições para compreender criticamente o mundo em que vivemos.

Propomos:

  • ampliar o número de aulas de História no Ensino Fundamental e Médio;
  • assegurar presença significativa da disciplina nos currículos escolares;
  • fortalecer o ensino de História como componente fundamental da formação dos estudantes;
  • ampliar a presença das Humanidades na educação básica;
  • garantir condições para o ensino de História do Brasil, da América, da África, dos povos indígenas e da história mundial;
  • assegurar o cumprimento efetivo da Lei 10.639/03 relativa à História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena.

3. VALORIZAR OS PROFESSORES DE HISTÓRIA E A EDUCAÇÃO BÁSICA

Não é possível defender o ensino de História sem defender aqueles que o realizam. Os professores da educação básica constituem parcela fundamental dos profissionais formados em História e enfrentam problemas relacionados a salários, carreira, condições de trabalho, censuras, precarização e perda de autonomia. A qualidade do ensino de História depende diretamente da qualidade das condições de trabalho de seus professores.

Propomos:

  • que as aulas de História devam ser atribuídas aos docentes formados em História;
  • o fortalecimento das carreiras da educação básica;
  • a melhoria das condições de trabalho e valorização salarial dos professores;
  • a ampliação das oportunidades de formação continuada;
  • a redução e fim da precarização do trabalho docente com concursos públicos;
  • a defesa da autonomia pedagógica dos professores;
  • políticas que reconheçam o professor como profissional intelectual e não como mero executor de conteúdos previamente produzidos.

4. AMPLIAR AS VAGAS E FORTALECER OS CURSOS PRESENCIAIS DE HISTÓRIA

A valorização do ensino de História precisa começar também pela formação dos profissionais. Ao mesmo tempo em que existe demanda por historiadores em diferentes campos de atuação, observam-se dificuldades de acesso e permanência na formação superior em cursos de qualidade. Defendemos a ampliação das vagas nos cursos presenciais de História, especialmente nas instituições públicas e gratuitas, como parte de uma política de formação de professores e profissionais qualificados. O fortalecimento da História na educação básica exige também uma política de formação de novos profissionais.

Propomos:

  • ampliar vagas nos cursos presenciais de História;
  • fortalecer os cursos em universidades públicas existentes;
  • ampliar a formação de professores de História para a educação básica;
  • garantir condições adequadas de ensino, pesquisa e extensão nos cursos de História;
  • enfrentar a precarização da formação superior;
  • assegurar que a expansão da formação ocorra com qualidade acadêmica e condições efetivas de aprendizagem.

5. DEFENDER A AUTONOMIA DOS PROFESSORES DIANTE DA PLATAFORMIZAÇÃO

As transformações tecnológicas vêm alterando profundamente o cotidiano das escolas. Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial podem oferecer recursos importantes, mas não podem substituir a autonomia intelectual e pedagógica dos professores. A plataformização não deve transformar o professor em mero replicador de slides, atividades ou conteúdos produzidos por sistemas externos.

Propomos:

  • garantir a autonomia dos professores na elaboração de suas atividades;
  • avaliar criticamente e combater a utilização compulsória de plataformas educacionais;
  • assegurar a participação dos professores na definição das políticas de digitalização da educação;
  • discutir os impactos da inteligência artificial sobre o trabalho docente;
  • proteger a autonomia profissional diante da utilização indiscriminada de ferramentas de IA;
  • promover formação para o uso crítico das novas tecnologias e garantir seu controle social e público.

6. FINANCIAR A PESQUISA HISTÓRICA

A pesquisa histórica é parte da produção científica e cultural do país. Ela depende essencialmente de financiamento público, acesso à documentação, bolsas de estudo, infraestrutura, laboratórios, bibliotecas e instituições de memória. A produção de conhecimento histórico não pode depender apenas de iniciativas individuais ou de recursos ocasionais.

Propomos:

  • ampliar o financiamento público as pesquisas históricas;
  • fortalecer as agências públicas de fomento, como a FAPESP;
  • ampliar oportunidades de financiamento para jovens pesquisadores;
  • estimular pesquisas realizadas fora dos grandes centros;
  • apoiar a digitalização e preservação de acervos públicos necessários à pesquisa histórica;
  • criar mecanismos permanentes de apoio à pesquisa com fortalecimento das pós-graduações em História.

7. PRESERVAR ARQUIVOS, MUSEUS, E DEMOCRATIZAR A MEMÓRIA HISTÓRICA COLETIVA

Uma política pública de História deve reconhecer a diversidade da sociedade brasileira e paulista, e prover condições de manutenção e expansão de suas instituições de memória, não só as de responsabilidade do Estado de São Paulo, como também apoiar os acervos e estruturas físicas e equipes de profissionais instalados nos Municípios paulistas. Arquivos e instituições de memória são fundamentais para a pesquisa, a educação e a preservação da história da sociedade. Preservar a memória é também garantir que diferentes grupos sociais possam reconhecer sua história como parte da história de São Paulo e do Brasil. A preservação da memória deve ser compreendida como responsabilidade permanente do Estado. Propomos uma política estadual de preservação da memória, que deve assegurar recursos para infraestrutura, pessoal, conservação, digitalização e acesso público aos acervos, envolvendo:

  • arquivos públicos;
  • museus;
  • centros de documentação;
  • centros de memória;
  • bibliotecas;
  • instituições de patrimônio;
  • cinematecas;
  • filmotecas;
  • arquivos audiovisuais.

8. VALORIZAR SOCIALMENTE O TRABALHO DO HISTORIADOR E COMBATER A DESINFORMAÇÃO E O NEGACIONISMO HISTÓRICO

A falsificação deliberada do passado representa um problema para a educação e para a democracia. Por esta razão, é necessário valorizar o papel social do profissional de História, combatendo tentativas de perseguição e censura ao seu trabalho. Nos últimos anos vimos surgir uma avalanche de informações falsas (fake news) sobre acontecimentos históricos muito bem documentados, mas que agora circulam amplamente nas redes sociais, nos meios de comunicação e, em alguns casos, no próprio discurso político.

O historiador não é apenas o professor ou pesquisador universitário. É um profissional especializado que trabalha com documentos, arquivos, patrimônio, memória, educação, cultura, pesquisa, produção audiovisual e diferentes formas de interpretação do passado. Defendemos, por isso, uma política pública de valorização do conhecimento histórico baseado em pesquisa, documentação e crítica das fontes.

A melhor resposta ao negacionismo é ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento histórico de qualidade. A História deve ser reconhecida como uma atividade profissional socialmente necessária.

Propomos:

  • fim das escolas cívico-militares;
  • apoio à divulgação científica;
  • presença de historiadores nos meios de comunicação;
  • produção de materiais acessíveis ao grande público;
  • iniciativas de combate à desinformação;
  • defesa da pesquisa histórica diante de falsificações e negacionismos;
  • programas permanentes de divulgação do conhecimento histórico;
  • estímulo a olimpíadas de História, projetos escolares e outras iniciativas de divulgação da História.

9. HISTÓRIA COMO POLÍTICA DE ESTADO

É necessário construir políticas permanentes para:

  • valorização profissional.
  • formação profissional;
  • ensino;
  • pesquisa;
  • arquivos;
  • patrimônio;
  • museus;
  • memória;
  • divulgação científica;

Por isso, convidamos todas as candidatas e todos os candidatos a assumir compromissos concretos com esta agenda. Solicitamos que os programas de governo e de mandato considerem as propostas aqui apresentadas e que, após as eleições, os representantes eleitos mantenham diálogo com os profissionais e instituições da área de História.

10. UM COMPROMISSO COM A HISTÓRIA

Nós, historiadoras e historiadores de São Paulo, afirmamos que a defesa da História é inseparável da defesa da educação pública, da ciência, da cultura, da memória e da democracia.

Defender a História significa garantir mais aulas de História nas escolas.

Significa valorizar e contratar professores(as) historiadores(as).

Significa implementar efetivamente a profissionalização já reconhecida em lei.

Significa ampliar as vagas e fortalecer os cursos presenciais de História.

Significa financiar a pesquisa em História e preservar os arquivos.

Significa proteger o patrimônio e a memória do nosso povo.

Significa combater a desinformação e o negacionismo.

Significa garantir autonomia aos professores diante das novas tecnologias.

Significa reconhecer que o conhecimento histórico é um bem público e um direito da sociedade.

Por isso, dirigimo-nos às candidatas e aos candidatos às eleições de 2026: assumam compromisso com a História.

Aprovada por unanimidade em assembleia da

ANPUH-SP — Associação Nacional de História – Seção São Paulo

São Paulo, 11 de setembro de 2026

INSTITUCIONAL

FILIADOS

ATUAÇÃO

CONTATO

ICON FACEBOOK
ICON TWEETER
ICON TWEETER
ICON TWEETER
ICON TWEETER
SPOTIFY
DEEZER

Copyright © 2026 ANPUH-SP. Todos os direitos reservados.